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Bancários em greve. Metalúrgicos também. E a cobertura é online?
Posted on outubro 8th, 2008 No commentsDuas greves movimentam, ou melhor, param São Paulo nesta quarta-feira. Para falar a verdade, a dos bancários, o país inteiro. A dos metalúrgicos, a capital e Mogi das Cruzes. Mas vamos ao que interessa: como os site das entidades tratam da greve e da campanha salarial.
Primeiro os bancários. O site da Contraf-CUT disponibiliza um quadro nacional da greve. E uma lista de notícias que tem tudo para crescer ao longo do dia. É a greve nas ruas e a cobertura online.
Já o site do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região vai além e apresenta em uma página especial tudo sobre a campanha salarial. Na capa, logo na manchete apresenta um balanço do dia (até as 14h), aponta os motivos para a paralisação e as reivindicações.
Se você é jornalista e está cobrindo os dois movimentos, qual escolher? Bom, eu certamente iria escolher o movimento bancário. Em poucos cliques é possível saber quais são as propostas e o que está acontecendo no Brasil inteiro.
Já o site do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo fala da greve, aponta os locais paralisados, mas deixa a desejar quando fala sobre a participação do Sindicato na greve e suas reivindicações. E o que é pior tem ainda informações do dia anterior na capa.
Moral da história - Para um jornalista que não acompanha de perto o movimento sindical é difícil entender o que significa as reivindicações de cada categoria. Neste quesito, ponto para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, que em uma pequena tabela (abaixo) mostra as reivindicações e poupa o tempo de jornalistas, ainda mais para quem trabalha na web.
E um balanço das duas greves nos portais. UOL, Terra e IG dão destaque à greve dos bancários em suas páginas principais. A dos metalúrgicos, apenas uma delas.
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Sindicalização online. Que bicho é esse?
Posted on outubro 7th, 2008 No commentsAté hoje, o contato do diretor sindical com a base é fundamental. Tem de ser feito. Pelo menos é o que dizem os dirigentes sindicais que conheço. Entregar o jornalzinho na porta do local de trabalho também.
Mas em tempos de internet, novas práticas poderíam se encaixar com os já antigas. Por exemplo? Colocar no site da entidade sindical uma “Sindicalização Online”.Muitos sindicatos são sustentados pelos sócios (e os que ainda não são deveríam repensar isso, não?) e dependem deles para manter uma estrutura que briga pelos seus direitos. Ter o trabalhador sindicalizado também mostra a força da categoria na hora de negociar com os patrões.
Entretanto, sindicalizar é difícil. Ainda mais porque os diretores ou funcionários das entidades não podem estar 100% do tempo no local de trabalho, conversando com os trabalhadores. O que fazer? Oras, hoje em dia a internet ajuda a resolver esses pequenos problemas.
Se uma pessoa faz compras pela internet, aluga carros, agenda consultas, porque não se sindicalizar? A pergunta é simples, mas de difícil execucão. Não passa pela cabeça de muitos dirigentes que essa ferramenta pode ser aliada. Vamos pegar exemplos diferentes.
Um dos maiores sindicatos brasileiros, o dos Metalúrgicos do ABC, tem abaixo do logo um link para a sindicalização. Do outro lado da home, na direita, há uma propangada, com foto e que chama a atenção. A páginade sindicalização é clara, bem distribuída, com informações sobre o por quê se associar, mas o link poderia estar melhor distribuído. Uma boa dica seria acrescentar o link para a ficha de cadastro na imagem da trabalhadora segurando sua carteirinha. No entanto, após clicar, o metalúrgico cai direto na ficha e pronto, vira sindicalizado. Perfeito! Veja aqui.
O segundo exemplo. Vamos até o Rio de Janeiro. O site dos Bancários do Rio também tem sindicalização via web. Só que está escondido em meio à tarja vermelha do menu superior. Pior mesmo é o flash da home, que está lá em baixo. Ao clicar no link, a página não apresenta nenhum texto sobre a importância de se sindicalizar. Veja aqui.
O terceiro. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Lá também há uma ficha de sindicalização online. Mas o jornalista terá de procurar, e muito. Está escondida dentro da aba Documentos. Tá, aí vem a pergunta: qual a diferença entre “ficha de sindicalização” e “pré-ficha de sindicalização”? Ao me associar eu tenho de completar as duas? No site dos jornalistas do Rio a palavra “associe-se” está entre o topo com o nome da entidade e o flash de apresentação. Este flash inclusive diz “Não fique só, fique sócio”, mas não dá a oportunidade para o jornalista, ao clicar, entrar direto na ficha de sindicalização. Os jornalistas, tanto do Rio quanto de São Paulo, cometem o mesmo erro: não dizem nada sobre a importância da sindicalização. Será que não há motivos para isso?
Como tentei demonstrar aqui, pegando exemplos de algumas entidades, os sindicatos já acordaram para a sindicalização on line. O que falta é demonstrar melhor como fazer isso como no caso dos Metalúrgicos do ABC.
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O jornalismo sindical no banco escolar
Posted on setembro 29th, 2008 No commentsA seguir, uma entrevista com o professor Alexandre Barbosa, sobre o ensino do jornalismos sindical nas universidades. Mestre em ciências da comunicação pela USP, Barbosa mantém o site www.latinoamericano.jor.br sobre jornalismo na América Latina.
Sindcom – Porque não se aprende mais a fazer jornalismo sindical nos cursos de comunicação? Por outro lado, os alunos mostram interesse em trabalhar no meio sindical?
Alexandre Barbosa – Talvez não com esse nome, mas há ações em alguns cursos, como uma disciplina chamada Jornalismo Social e Comunitário que une a comunicação para o terceiro setor e a comunicação comunitária e sindical. Essa disciplina, na universidade em que trabalho, é oferecida no sexto semestre e – se bem conduzida – desperta interesses nos alunos. Nos primeiros semestres, dificilmente há alunos que manifestam interesse nessa área, mas depois de estudar história do jornalismo, jornalismo social, etc, aparecem alguns interessados. Há um quadro que explica a situação:
- Por um lado há falta de empenho da academia de considerar esse campo de trabalho. É um dilema dos cursos que ficam no muro entre o ensino mais prático e o teórico. Algumas universidades não oferecem disciplinas como Assessoria de imprensa, enquanto outras oferecem uma carga maior.
- Por outro a imagem dos sindicatos sofreu um desgaste muito grande, por culpa não só da indústria jornalística, mas também pelos próprios sindicatos. Tirando os exemplos dos Metalúrgicos do ABC e dos Bancários, fica uma imagem do sindicato que sorteia carro e apartamento com show de pagode no Primeiro de Maio. Verdade que nem todos os sindicatos são assim, mas essas festas tiraram a imagem de luta e transformaram o sindicato numa “ONG” que faz festa.
A conseqüência é que os sindicatos se tornaram mais um lugar em que se pode trabalhar e não um lugar especial para desenvolver uma ação, o que diminui o interesse pelo estudo.Sindcom – Qual é hoje, na tua opinião, os melhores sites sindicais?
AB – Gosto do trabalho dos metalúrgicos do ABC e dos bancários, que desenvolveram uma comunicação muito séria há tempos. Consulto o dos jornalistas e dos professores, os dois de São Paulo. Agora, se você incluir os movimentos sociais, a lista aumenta bastante.Sindcom – Na América Latina, por exemplo, como se dá esta questão do estudo da comunicação sindical nas universidades?AB – Há estudos avançados na USP e na PUC, mas geralmente na pós-graduação. A prof. Maria Nazareth Ferreira, da USP, é uma pioneira na área da imprensa operária.Sindcom – Porque a luta de classes não faz parte do cotidiano dos grandes portais brasileiros. Porque eles sempre colocam uma informação sobre reajuste salarial no canal de Economia?
AB – Isso faz parte de um processo maior de perda do horizonte histórico na imprensa. A visão de mundo em que não há luta de classes, não há união entre os trabalhadores, se reflete no tratamento das notícias, Como as indústrias jornalísticas são expressões do liberalismo econômico, os critérios de noticiabilidade seguem as categorias de seleção desse liberalismo. Isso explica, em parte, o tratamento dado para as greves, por exemplo.Sindcom – Qual é a importância da comunicação na web para o movimento sindical? As centrais sindicais ou os sindicatos já perceberam isso ou ainda fazem comunicação dos anos 70/80.
AB – A web é uma ferramenta interessante não só do ponto de vista econômico – é mais “barato” montar um site do que editar um jornal – como tem possiblidades de interação, inclusão de novos conteúdos com agilidade e maior capacidade de inserção de informações que as mídias tradicionais não têm. Verdade que muitos sindcitaos não se atentaram para essa possibilidade, mas isso não é exclusividade deles. A mudança não deve estar só na mídia, mas também na linguagem. Nesse ponto, o MST tem muito a ensinar sobre o uso da comunicação.







