• A comunicação sindical na greve da polícia

    Posted on outubro 17th, 2008 ricardo No comments

    Após o fechamento da revista fica mais fácil para escrever. Sei que prometi um post sobre os RSS, mas antes dele vamos ver como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical trataram da greve em seus sites. O governador José Serra responsabilizou diretamente as duas entidades pelo ocorrido. Será?

    foto: Caco Argemi/Seeb-Poa

    No site da CUT o tema é manchete, claro. Com o título “Bombas, cavalaria, tiros e feridos à bala”, a entidade condena os dois tumultos que ocorreram nesta quinta-feira, dia 16 de outubro: em São Paulo e em Porto Alegre. Sim, em Porto Alegre a polícia bateu firme nos bancários.

    Ao transformarem a Polícia Militar em guarda pretoriana de seus desgovernos, os tucanos José Serra e Yeda Crusius quase provocaram a morte de pais e mães de família que protestavam contra a intransigência e defendiam o atendimento as suas reivindicações”, diz o texto no site da CUT assinado por Leonardo Severo e Paula Brandão, clique aqui.

    No site da Força Sindical, o destaque é o Paulinho, seu presidente e deputado federal. Claro que a página fala sobre o ocorrido em São Paulo, mas não há o destaque merecido na parte “nobre” da página. Diz a nota oficial: “Os dirigentes das seis centrais sindicais presentes ao ato ficaram indignados com a brutalidade da Polícia Militar contra os servidores. É intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta. Demandamos que o Governo do Estado retome o caminho da negociação e atenda as justas reivindicações dos policiais civis, pois valorizar a função e a carreira do policial é parte fundamental de uma política de segurança pública democrática e eficiente.” Veja aqui.

    Porto Alegre – No site dos Bancários de Porto Alegre nem parece que houve qualquer tipo de agressão à categoria. O assunto, simplesmente não está na manchete. Claro que os bancários continuam em greve em todo o país, mas seria fundamental mostrar o que houve na quinta? Não poderia ter um texto amarrando o que aconteceu no país e em especial na capital gaúcha? Quer ler o que aconteceu, clique aqui.

    Nesta sexta eles prometem um ato público contra a violência em frente à agência Central do Banrisul, na Praça da Alfândega, no centro.

  • Dos jornais sindicais para o mundo. A charge na web sindical

    Posted on outubro 9th, 2008 ricardo No comments

    Márcio Baraldi é um cartunista das antigas. Mas que está em sintonia com a internet. Não é à toa que seu trabalho tem bons índices de audiência nos sites dos sindicatos que publicam o seu trabalho. Além do movimento sindical, Baraldi também atua no mundo do rock, com personagens como Roko-Loko e
    Adrina-Lina. Abaixo, a entrevista com o cartunista sobre charges sindicais na internet.


    Sindcom – Quantos personagens sindicais você já criou em sua carreira?
    Márcio Baraldi –
    Vários. Comecei minha carreira no sindicato dos Químicos do ABC, onde criei os personagens Zé Ácido, Maria Vitamina e Caveirinha, que são muito queridos na categoria química, e os desenho até hoje. Já lancei dois livros com charges deles: “A fórmula do Riso” e “Ideologia: Eu quero uma pra viver!”. O Caveirinha é um esqueleto que representa o trabalhador vítima de acidente de trabalho e serve para criticar a insalubridade do setor químico.
    No Sindicato dos Bancários de São Paulo, eu faço o casal Euriko e Ritalinda, que são politizados e participam de todas as atividades do sindicato, inclusive de lazer. Não perdem uma assembléia nem uma festa no Café ou na Quadra.

    Também faço o doutor Cicólo para o Sindicato dos médicos; dra. Electra , para os psicólogos; Pascoal, o fiscal, para os fiscais; Adamastor, o procurador, para os procuradores; Diretorzim e Iraildo Bravo para os diretores de escola; e também faço personagens para os metroviários, bancários do ABC, servidores da saúde… Enfim, é uma família beeeeeeeem grande!

    Sindcom – Para quantos sindicatos você já desenhou?
    MB –
    Para todos os que citei acima. E se somarmos todos os que já desenhei em outras ocasiões e épocas deve dar uns cinquenta.

    Sindcom – Seus trabalhos estão acessíveis na internet ou apenas  nos jornais das entidades?
    MB –
    Em alguns casos estão tanto nos jornais quanto no site da entidade. Em outros só nos jornais.

    Sindcom – Você já fez algum trabalho exclusivo para a internet?
    MB –
    Na verdade todas as charges e quadrinhos que eu fiz ou faço acabam sendo aproveitáveis em ambos os veículos.

    Sindcom – Que tipo de trabalho você considera viável para que seja divulgado exclusivamente pela internet? O link está disponível?
    MB –
    As animações. A internet é perfeita para elas.

    Sindcom – O que você acha que falta para as charges chegaram à web no mundo sindical? Você acha que tem espaço para isso?
    MB –
    Lógico. Tanto é que eu já faço minha parte há muitos anos.Tenho seção de charges no site dos Bancários de São Paulo e Químicos do ABC, que têm milhares de acessos por mês e atingem pessoas não apenas daquelas categorias profissionais, mas do planeta inteiro. E por falar nisso,visitem meu site pessoal que tem muita coisa bacana lá também: www.marciobaraldi.com.br


  • Bancários em greve. Metalúrgicos também. E a cobertura é online?

    Posted on outubro 8th, 2008 ricardo No comments

    Duas greves movimentam, ou melhor, param São Paulo nesta quarta-feira. Para falar a verdade, a dos bancários, o país inteiro. A dos metalúrgicos, a capital e Mogi das Cruzes. Mas vamos ao que interessa: como os site das entidades tratam da greve e da campanha salarial.

    Primeiro os bancários. O site da Contraf-CUT disponibiliza um quadro nacional da greve. E uma lista de notícias que tem tudo para crescer ao longo do dia. É a greve nas ruas e a cobertura online.

    Já o site do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região vai além e apresenta em uma página especial tudo sobre a campanha salarial. Na capa, logo na manchete apresenta um balanço do dia (até as 14h), aponta os motivos para a paralisação e as reivindicações.

    Se você é jornalista e está cobrindo os dois movimentos, qual escolher? Bom, eu certamente iria escolher o movimento bancário.  Em poucos cliques é possível saber quais são as propostas e o que está acontecendo no Brasil inteiro.

    Já o site do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo fala da greve, aponta os locais paralisados, mas deixa a desejar quando fala sobre a participação do Sindicato na greve e suas reivindicações. E o que é pior tem ainda informações do dia anterior na capa.

    Moral da história - Para um jornalista que não acompanha de perto o movimento sindical é difícil entender o que significa as reivindicações de cada categoria. Neste quesito, ponto para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, que em uma pequena tabela (abaixo) mostra as reivindicações e poupa o tempo de jornalistas, ainda mais para quem trabalha na web.

    E um balanço das duas greves nos portais. UOL, Terra e IG dão destaque à greve dos bancários em suas páginas principais. A dos metalúrgicos, apenas uma delas.

  • Sindicalização online. Que bicho é esse?

    Posted on outubro 7th, 2008 ricardo No comments

    Até hoje, o contato do diretor sindical com a base é fundamental. Tem de ser feito. Pelo menos é o que dizem os dirigentes sindicais que conheço. Entregar o jornalzinho na porta do local de trabalho também.
    Mas em tempos de internet, novas práticas poderíam se encaixar com os já antigas. Por exemplo? Colocar no site da entidade sindical uma “Sindicalização Online”.

    Muitos sindicatos são sustentados pelos sócios (e os que ainda não são deveríam repensar isso, não?) e dependem deles para manter uma estrutura que briga pelos seus direitos. Ter o trabalhador sindicalizado também mostra a força da categoria na hora de negociar com os patrões.

    Entretanto, sindicalizar é difícil. Ainda mais porque os diretores ou funcionários das entidades não podem estar 100% do tempo no local de trabalho, conversando com os trabalhadores. O que fazer? Oras, hoje em dia a internet ajuda a resolver esses pequenos problemas.

    Se uma pessoa faz compras pela internet, aluga carros, agenda consultas, porque não se sindicalizar? A pergunta é simples, mas de difícil execucão. Não passa pela cabeça de muitos dirigentes que essa ferramenta pode ser aliada. Vamos pegar exemplos diferentes.

    Um dos maiores sindicatos brasileiros, o dos Metalúrgicos do ABC, tem abaixo do logo um link para a sindicalização. Do outro lado da home, na direita, há uma propangada, com foto e que chama a atenção. A páginade sindicalização  é clara, bem distribuída, com informações sobre o por quê se associar, mas o link poderia estar melhor distribuído. Uma boa dica seria acrescentar o link para a ficha de cadastro na imagem da trabalhadora segurando sua carteirinha. No entanto, após clicar, o metalúrgico cai direto na ficha e pronto, vira sindicalizado. Perfeito! Veja aqui.

    O segundo exemplo. Vamos até o Rio de Janeiro. O site dos Bancários do Rio também tem sindicalização via web. Só que está escondido em meio à tarja vermelha do menu superior. Pior mesmo é o flash da home, que está lá em baixo. Ao clicar no link, a página não apresenta nenhum texto sobre a importância de se sindicalizar. Veja aqui.

    O terceiro. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Lá também há uma ficha de sindicalização online. Mas o jornalista terá de procurar, e muito. Está escondida dentro da aba Documentos. Tá, aí vem a pergunta: qual a diferença entre “ficha de sindicalização” e “pré-ficha de sindicalização”? Ao me associar eu tenho de completar as duas? No site dos jornalistas do Rio a palavra “associe-se” está entre o topo com o nome da entidade e o flash de apresentação. Este flash inclusive diz “Não fique só, fique sócio”, mas não dá a oportunidade para o jornalista, ao clicar, entrar direto na ficha de sindicalização. Os jornalistas, tanto do Rio quanto de São Paulo, cometem o mesmo erro: não dizem nada sobre a importância da sindicalização. Será que não há motivos para isso?

    Como tentei demonstrar aqui, pegando exemplos de algumas entidades, os sindicatos já acordaram para a sindicalização on line. O que falta é demonstrar melhor como fazer isso como no caso dos Metalúrgicos do ABC.

  • Resposta do UOL. Terra e IG ficam devendo

    Posted on outubro 3rd, 2008 ricardo No comments

    Em 25 de setembro lancei um post sobre Os portais brasileiros e o sindicalismo. E fiz uma indagação: “para os portais, tratar de reajuste salarial é ganho do trabalhador ou perda para os bancos?”

    Até agora, só o UOL respondeu, por meio de Mara Gama, ombudsman do portal. IG e Terra estão devendo.
    Segue abaixo a mensagem de Mara Gama:

    Responde o gerente geral de Notícias, Rodrigo Flores:
    “O UOL cobre as paralisações da Polícia Civil e dos bancários em UOL Notícias (http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/09/30/ult5772u914.jhtm). Eventualmente o assunto é tratado em UOL Economia. A escolha das editorias me parece pertinente e coerente com a nossa proposta de organização das notícias. Não há aí qualquer julgamento.
    Sobre o uso de tags ou marcadores, o UOL Notícias ainda não conta com esse recurso na publicação de suas reportagens.”
    Atenciosamente
    Mara Gama