• Mais sobre Che, agora um livro

    Posted on março 27th, 2009 ricardo No comments

    Em 2006 escrevi uma crônica sobre o livro “Che, uma biografia”, de Jon Lee Anderson, que reproduzo abaixo. Quem quiser ver o origial é só clicar aqui.

     

    chelivrofoto: divulgação

     

    Che, uma biografia

    Em poucos meses, mais um capítulo da vida de Ernesto Guevara de la Serna estará em evidência nas telas. Desta vez, o do líder destacado e combatente revolucionário. Mas ao contrário do filme de Walter Salles (Diários de Motocicleta) este Ernesto (com Benício Del Toro como Comandante Guevara) das telas será diferente. É no papel de Comandante Che que ele despertará paixões e ódio. Não há como ficar indiferente a este extraordinário personagem do século XX. Não será exagero se aparecerem furiosas críticas ao filme, que já está cercado de expectativa.

     

    Portanto, se você realmente quer conhecer Ernesto, ou simplesmente Che, há nas livrarias uma centena de publicações que podem auxiliar. A mais completa delas é uma biografia escrita (curiosamente) por um norte-americano, Jon Lee Anderson. Che, Uma Biografia foi lançada em 1997 (editora Objetiva) e conta com pouco mais de 900 páginas, resultado de mais de cinco anos de intensas pesquisas. E acredite, é pouco! 

    Uma boa maneira para entender Ernesto, é comparar seu crescimento filosófico a uma montanha, com intermináveis lances de escadas. Sua vida foi assim. Até se tornar um dos principais personsagens do século XX foram anos de longas aventuras morro acima, e é esta empreitada que Anderson apresenta, de maneira simples, porém rica em detalhes.

    Che, Uma Biografia é dividido em três partes que refletem bem cada fase de Ernesto: “Juventude agitada”, “Tornando-se Che” e “Criando o Novo Homem”. Para se ter uma idéia da complexidade deste personagem, basta dizer que estas três partes poderiam facilmente se desdobrar em três biografias diferentes. Somando-se a isso, basta lembrar Sartre, que considera Ernesto o “ser humano mais completo da nossa época”.

    É claro que a grande maioria tem uma visão romântica do líder que largou seu país, sua família, em busca da libertação da América Latina. Mas Che não é apenas isso, e Anderson o revela com dedicação. Se apenas uma parte desta vida estiver nas salas de cinema, será uma grande oportunidade perdida para que as novas gerações conheçam realmente quem foi Che.

    Muito mais que um aventureiro ou um guerrilheiro, Che foi um pensador, que por meio da sua disciplina deu ao mundo algo novo. Nasceu Ernesto, argentino. Morreu Che, cidadão do mundo. 

    Em 39 anos, conseguiu o que poucos jamais ousarão pensar: serviu de exemplo, desafiando o seu tempo, seus próprios limites (a asma era o mais físico deles) e os homens. Idolatrado em Cuba, ícone revolucionário que serviu de exemplo para centenas de organizações guerrilheiras, herege na Rússia e perseguido pelos anti-castritas e norte-americanos. 

    Incansável, Che trabalhava todos os dias, inclusive às madrugadas. Era temido e admirado pelos cubanos, que o seguiam com uma fidelidade admirável. Não se separava de seu mate, não tinha cuidado com sua aparência e tampouco gostava de tomar banho (em sua campanha na Bolívia, comemorou o fato de ter ficado seis meses sem um único banho), uma marca que o fez ganhar o apelido de Chancho. Estas são algumas características do homem. Enganam-se os que pensam em Guevara apenas como um guerrilheiro brilhante e invencível – suas falhas foram determinantes para a sua morte. Talvez, sua principal contribuição seja a criação do Novo Homem. E é esta a parte fundamental, e a melhor de toda a vida de Che. 

    Na terceira parte do livro, Anderson passa a contar os dias finais do Comandante e revela seus pensamentos. Mas não pule logo para esta parte final. Antes, veja como este médico curtiu suas aventuras pela América Latina e passou a integrar um grupo de guerrilheiros que ousou desafiar os Estados Unidos. 

    Talvez o Novo Homem seja um exemplo seguido pelas milhares de pessoas que usam camisetas, bonés e chaveiros, ainda que de forma inconsciente. O “Che pop” que vemos pelas ruas pode ser apenas a sombra deste exemplo solitário que desafia todos a segui-lo. Mas não se preocupe: quando você finalmente chegar ao topo da montanha, verá um novo mundo. Prepare-se, porque não há como voltar atrás.

  • Hoje é dia de Che

    Posted on março 27th, 2009 ricardo No comments

    Foto: divulgação

    Foto: divulgação

    Estreia hoje nos cinemas de todo o país o filme “Che, o Argentino”, primeira parte do que pretende ser uma grande biografia reconstituída em película. A ideia de Steven Soderbergh é mostrar a vida de Ernesto Guevara em mais de quatro horas.

    Sem entrar no mérito de que a figura de Che é vendida no mundo e que nem todos conhecem de fato boa parte da vida deste médico que virou guerrilheiro.

    Então este primeiro post é apenas para recomendar o artigo escrito pelo professor Alexandre Barbosa, professor de jornalismo e mestre em Ciências da Comunicação. Veja no blog Latinoamericano.

    Veja também o site oficial do filme ou assista abaixo o trailer em espanhol.

    Veja também a entrevista de Benicio del Toro, que faz Che nos cinemas (em espanhol)

  • Bancários comemoram 30 anos em grande estilo

    Posted on março 18th, 2009 ricardo No comments

    Para uns uma retomada. Para outros uma mudança de pensamento. O fato é que desde 1979 o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região está entre as entidades sindicais que mais contribuiram com a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores. Mas foi mais do que isso: participou ativamente da campanha das Diretas Já, da formação da CUT e do PT, da luta contra o neoliberalismo dos anos Collor e FHC. E por ai vai.

    E para comemorar os 30 anos desta luta, o Sindicato fez uma homenagem aos antigos diretores. É o que você pode ver no site da entidade, em sete vídeos. Aqui você vê fotos.

    Alguns dos nome que já comandaram a presidência da entidade e que hoje são reconhecidos nacionalmente: Luiz Gushiken, Gilmar Carneiro, Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa.

  • A hora e a vez dos sindicatos

    Posted on janeiro 19th, 2009 ricardo No comments

    O título bem que poderia ser outro, mas 2009 chegou em meio ao grande circo que se instala nos meios de comunicação do país, projetando pânico e horror. Isso mesmo. Por outro lado, agora é a hora e a vez dos sindicatos e centrais sindicais mostrarem organização e disposição para a luta, já que, do outro lado, os empresários já apelam para a mudança que só prejudicaria o trabalhador: mudança das regras do jogo com o corte dos direito dos trabalhadores.

    Sem a CUT, a maior central do país, as demais centrais ensaiaram uma conversa com os empresários, mas logo perceberam o erro estratégico. Em tese, suspenderam as negociações por 10 dias.

    A CUT é taxativa: não discute a redução a redução da jornada de trabalho atrelada à diminuição dos salários e, pior ainda, sem a garantia da manutenção das vagas.

    Na imprensa, essa absurda proposta ganhou voz. Afinal de contas, um dos interlocutores está ensaiando sua campanha ao governo de São Paulo. Mas agora as centrais recuaram. A CUT está certa, não se pode negociar os direitos dos trabalhadores.

    Por isso, copiei os 30 pontos elaborados pela entidade para combater a crise. Vamos a elas:

    a) DEFESA E GARANTIA DO EMPREGO
    1) Nenhuma demissão. Estabilidade no emprego.

    2) Ratificação da Convenção nº 158 da OIT.

    3) Redução constitucional da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais sem redução dos salários e limitação das horas extras conforme proposta da CUT.

    4) Ampliação das Políticas de geração de emprego no setor privado e no setor público, especialmente para os segmentos mais vulneráveis, a exemplo das mulheres e da população negra.

    5) Programa especial de geração de emprego e renda na agricultura a partir  do fortalecimento da Agricultura familiar e garantia de preços mínimos.

    6) Reforma Agrária: Estabelecimento de limite de propriedade da terra; atualização dos índices de produtividade; garantia de instrumentos legais de controle de compra de terras por estrangeiros; combate ao trabalho escravo.

    b) INVESTIMENTOS
    7) Fortalecimento da política de valorização do salário mínimo e das aposentadorias e as políticas públicas de saúde e educação, garantindo-se a ampliação de recursos do orçamento público para as áreas sociais (EC29, FUNDEB etc) e os programas de transferência de renda.

    8 Fim do superávit primário e ampliação dos investimentos em obras de infra-estrutura, a valorização do serviço público e das políticas sociais, a exemplo dos Territórios da Cidadania.

    9) Ampliação da capitalização do BNDES e dos recursos para o orçamento corrente da instituição, visando o financiamento dos investimentos e, desta forma, reduzir a taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

    10) Revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

    c) CRÉDITO
    11) Nenhum recurso financeiro deve ser concedido à especulação.

    12) Qualquer instituição financeira que apresente estado de falência deve ser estatizada.

    13) Criação de mecanismos como multas, taxas, punições administrativas, entre outras, que assegurem a concessão de crédito à economia e que os recursos liberados pelo governo federal cheguem à economia real, não sendo utilizados pelos bancos para outros fins.

    14) Qualquer “socorro” que o governo resolva conceder às instituições financeiras e não-financeiras que apresentem problemas em função da atual crise internacional deve ter contrapartidas, a partir dos seguintes critérios:
    14.1    Garantia da manutenção do nível de emprego nas instituições financeiras e não-financeiras.
    14.2    Garantia de estabilidade de emprego nos processos de fusões e incorporações.
    14.3    Que os volumes de recursos dos programas de apoio serão devolvidos ao Estado, em parcelas e prazos previamente determinados.
    14.4    Limitação dos rendimentos dos executivos das instituições financeiras e não-financeiras.

    15) Ampliação das ações para garantir crédito e seguro para a agricultura familiar, como também o crédito imobiliário, visando combater o déficit habitacional.

    d) MEDIDAS EMERGENCIAIS
    16) Estruturação pelo Governo Federal de Plano de Renegociação de Dívidas para pequenas empresas, assalariados e trabalhadores em geral.

    17) Redução do impacto da desvalorização do real nos preços dos alimentos e produtos de primeira necessidade, por meio, entre outros, da redução dos impostos internos, com a contrapartida da manutenção de preços.

    18) Construção do Contrato Coletivo Nacional de Trabalho.

    19) Constituição, em caráter emergencial, de Câmaras Setoriais e especialmente nos setores mais atingidos pela crise do crédito e retração da atividade econômica (construção civil, têxtil e calçados, alimentação etc), de forma que as iniciativas de apoio do Estado representem contrapartidas na área da garantia do emprego, melhoria das relações de trabalho em cada setor.

    20) Valorização do salário mínimo, com a incorporação da variação dos preços da alimentação já no reajuste de 2009.

    21) Interromper os processos de privatização do patrimônio público (Embrapa e Infraero), o leilão das reservas petrolíferas, bem como revogar o marco regulatório herdado do Governo FHC, de modo que a riqueza do pré-sal seja explorada em benefício da Nação.

    22) Retirada do Projeto de Lei que propõe a implantação das Fundações Estatais de Direito Privado.

    e) GARANTIAS DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES
    23) Ampliação dos direitos dos trabalhadores e retirada dos projetos de flexibilização hoje existentes no Congresso Nacional, como o PL nº 4302/1998, que trata do trabalho temporário e da terceirização.

    24) Garantia de cumprimento pleno dos acordos coletivos firmados com os servidores públicos em todas as esferas de governo (federal, estadual e municipal) e ratificação da Convenção nº 151, que prevê a negociação coletiva para os servidores públicos.

    25) Garantia do cumprimento da Lei que estabelece o Piso Nacional do Magistério.

    f) POLÍTICAS ECONÔMICAS
    26) Sistema de Metas de Inflação mais flexível, com a efetiva utilização do intervalo de taxas de inflação admissíveis, sem determinar qual a meta-centro.

    g) SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E INTERNACIONAL
    27) Regulamentação do artigo nº 192 da Constituição Federal, que trata da regulação e do papel social do Sistema Financeiro.

    28) Fortalecimento do papel social dos bancos públicos.

    29) Por meio de uma ampla articulação desenvolvida no âmbito da CSI e da CSA, promover uma agenda de debates e ações visando a  estruturação de nova ordem financeira internacional, que, entre outros, estabeleça maior controle das operações das instituições financeiras e do fluxo de capitais entre os países, de modo a minimizar os impactos gerados nas economias nacionais.

    30) Fortalecimento do Mercosul como forma de reduzir os impactos dos fluxos de saída de capitais externos. Este fortalecimento deve enfatizar os aspectos de complementaridade dos projetos e o desenvolvimento da dimensão social, com o estabelecimento de contrapartidas e aplicação da Declaração Sócio-Laboral.

  • Um FlaFlu do operariado

    Posted on dezembro 11th, 2008 ricardo No comments

    Em cópia restaurada que deverá chegar daqui a pouco em DVD, o filme Linha de Montagem é um dos clássicos do movimento sindical que emergiu nos anos 1980.

    Totalmente restaurado, a obra de Renato Tapajós, de 1982, acompanha a trajetória dos trabalhadores durante as greves de 1979 e 1980. Um clássico, digno de um FlaxFu ou CorinthiansxPalmeiras.

    Veja abaixo os três vídeos produzidos para divulgar o filme:

    Parte 1

    Parte 2

    parte 3